Saia do Modo Controladora: Por que não deve Micro Gerenciar sua família

Se você já estudou alguma coisa sobre recursos humanos, liderança de pessoas, você deve saber que micro gerenciar os funcionários é extremamente prejudicial para o seu negócio.


Porque isso significa que você tem um problema sério de confiança e aí vc vai usar seu recurso, seu tempo, sua energia para outras coisas ao invés de focar naquilo que precisa mais da sua atenção; OU você está com um funcionário que não sabe fazer a função que foi contratado, e então você precisa intervir e assumir o controle.


Isso é muito claro no âmbito do trabalho.


E se a gente levasse esse pensamento e comportamento para a criação dos nossos filhos?


Na fase inicial da criança, micro gerenciar a vida de seu filho faz parte e está dentro do normal e previsto. Quando o bebê nasce até seus 3 anos, ele precisa realmente do seu intenso micro gerenciamento.


E a gente passa por esse processo por longo período. É realmente intensivo. Tão intenso que pode influenciar, inclusive, em criar um novo comportamento que talvez você até não tivesse antes.


A gente marca o tempo que o bebê dorme, quanto mamou, quantos gramas comeu, vê se o cocô está bonito, administra as atividades - hoje vai brincar de massinha, guache, vai tomar sol. É uma jornada intensa, tão intensa que quando a gente precisa começar a se afastar dessa gerência, muitas vezes a gente não consegue, porque passou a ser natural...


Aí quando chega no fim do primeiro setênio, passando ao segundo e depois na adolescência, sem perceber estamos buscando saber todos os detalhes da vida da criança, e como “a gente sabe tudo” a gente opina, questiona, sugere, faz. Isso é continuar micro gerenciando a vida de um ser que a cada dia passa a ser um pouco menos dependente de você.


Sendo que o que precisamos fazer é direcionar, ser um apoio como uma margem para o rio da vida deles.


Isso significa que, você pode acompanhar o desempenho escolar e social. Vai apoiar as decisões tomadas pelo seu filho ou filha, porém sem intervir e sem buscar substituir o tomador de decisão daquela vida.


Não se tornar o tomador de decisão da vida alheia, significa que você não será a responsável por saber o dia da prova, e nem cobrar que seu filho precisa estudar ou que estudo pouco. O livro que ele precisa ler.


Para uma criança menor, você vai disponibilizar o agasalho, as roupas. Mas ela será responsável por levar a blusa para a escola; inclusive será responsável por entender o clima e seu corpo, decidindo por qual roupa vestir.


**Claro que estou dando exemplos, que tudo vai depender da rotina e da realidade da sua casa. Além do que você considera como objetivo na vida de vocês.**


Mas o que estou querendo dizer é que quando a gente se preocupa com todos os detalhes, a gente tira a capacidade da criança de se auto gerenciar. Se você insistir em ser a titular das decisões da vida dele/dela, você está criando uma pessoa que sempre precisará que alguém gerencie sua vida.

Prover e promover a INdependência de seu filho ou filha gera e nutri um senso de auto responsabilidade, autonomia, que é exatamente o que a gente precisa incentivar nas crianças e adolescentes.


Vamos pensar, um jovem de 15 anos, em pouco tempo se tornará um adulto responsável por suas atitudes. Imagine se os pais demoram para delegar essas responsabilidades para ele? Esse jovem não não será capaz de conseguir decidir e se orgulhar de ser o protagonista da sua própria história, aquele que dirige o que faz.


Precisamos sim gerenciar mas no macro. Acompanhar os resultados, ser margem, apoio, verificar se precisa de alguma intervenção.


E a maneira que a gente consegue gerenciar é retendo o mínimo de informação com a gente, não se preocupando com os detalhes.


Se preocupe com aquilo que depende de você.

Vamos imaginar que seu filho adolescente precisa de carona para ir a escola, você não precisa saber o horário que ele entra, qual a grade de atividades. Você só precisa saber que horas que ele precisa estar lá para que você programe a agenda da sua vida.


O seu filho menor não precisa que você o guie em todos os momentos da casa, que você sempre direcione o que ele precisa fazer, com o que brincar, como passar o tempo. Deixe ele no ócio, isso incentivará a imaginação e a criatividade dele.


Se criança tem algum trabalho ou lição de casa, seu papel é disponibilizar um ambiente favorável para que ela faça essas tarefas. Quando, que horas e quanto tempo. A criança será responsável. Confie, ela irá aprender, mesmo que ela erre no início, mesmo que falhe, que não dê certo. Confie.


Aqui em casa, a Anne e a Lara tem lições de casa em determinados dias da semana, eu não sei quais são esses dias, tem a agenda que a forma de comunicação da professora com elas, e eu não vejo a agenda delas. Eu só olho quando elas me dizem que a professora escreveu algo para mim.


Como eu não sei quando e qual é a tarefa, eu não as cobro por fazer. Por que elas sabem que se não fizerem a professora irá perguntar para elas e em extremo caso, se isso se tornar um problema, a professora irá me procurar.


Então aí eu vou intervir para saber o que está acontecendo e pensarmos juntas em formas de ajudar nessa tarefa.


Mas perceba, que não é um trabalho meu ficar administrando diariamente essa responsabilidade.


Todas as quartas eles precisam levar roupa de ginástica para a escola, elas resolvem isso por elas. O meu papel é deixar a roupa disponível na gaveta.


O Gael, com 5 anos, ainda se perde nos dias da semana. Então para ele, esse é um assunto que eu gerencio, mas veja, eu aviso ele que ele precisa separar a roupa da atividade, ele separa tudo que é necessário e coloca na mochila.


Eu não vejo o que ele está levando, eu confio.


Então busque descartar em sua mente as informações e tarefas que você não precisa. Porque aí fica muito mais fácil para sair do modo controladora que a gente tanto cultivou nos primeiros anos do bebê.


Inclusive no casamento. Comece a fazer esse exercício, assim você acaba não dando tanto palpite para os assuntos que não te compete e gradualmente passará a se sentir menos sobrecarregada e mais leve.


Publicado em Parentalidade

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